SOLOMBRA_ Cecilia Meireles

Falar contigo.

(...)
Dizer com claridade o que existe em segredo.
Ir falando contigo e não ver mundo ou gente.
E nem sequer te ver, mas ver eterno o instante













No mar da vida ser coral de pensamento.
Aí se entremostra, metaforicamente, a problemática filosófico-existencial que está na gênese de sua criação poética:















– “Falar contigo” (anseio de se sentir participante do absoluto ou Mistério divino/cósmico);
















– “ver eterno o instante” (ânsia de descobrir o verdadeiro espaço ocupado pela efêmera vida humana, dentro da eternidade cósmica que a abarca) e















– “No mar da vida ser coral de pensamento.” (aceitação de seu destino de poeta, cuja tarefa maior seria captar, nomear ou instaurar em palavra, a verdade/beleza/eternidade ocultas nos seres e coisas fugazes, para comunicá-las aos homens e perpetuá-las no tempo.